O uso singular da cor e a composição lúdica tornam o trabalho deste arquiteto em algo único, pessoal, e ao mesmo tempo marcadamente brasileiro. É importante notar que Peixoto nasceu e tem a maioria de suas obras em Salvador, a primeira capital brasileira, com uma forte influência africana, e uma cidade com uma cultura singular e cheia de cor.
Neste caso é uma agradável surpresa ver uma arquitetura tão marcante e independente das caixas de vidro e outros modismos arquitetônicos.

Outro importante fator para uma apreciação do trabalho de Peixoto é manter em mente o objeto da maioria de seus projetos: eles não são prédios governamentais ou sedes de grandes empresas, mas sim prédios de escritórios e apartamentos corriqueiros, onde o custo de construção é fator decisivo.

Estes dois aspectos, adequação cultural e racionalidade de custos, são os dois suportes principais do seu trabalho.
A maioria dos seus desenhos são "caixotes", onde a simplicidade da estrutura e perímetros reduzidos são uma constante. Ao mesmo tempo o conceito gráfico elimina janelas como um elemento de composição estética, sendo seu tamanho e posição conseqüência da necessidade funcional.

Nesse aspecto, podemos considerar sua arquitetura muito próxima ao desenho industrial, onde a imagem e o resultado visual são obtidos sem manipulação desnecessária dos elementos construtivos.

Ao mesmo tempo, o impacto visual do seu trabalho tem muito a ver com a distância e velocidade da percepção, tornando-o mais notável que muitos outros em uma cidade moderna.

A despeito de uma composição rica, esses trabalhos não se prendem a excesso de detalhes, ineficientes se visto à distância ou através de janelas de um automóvel em movimento.

Sua ênfase na cor e contraste, ao invés do volume, torna seu trabalho de impacto universal, uma vez que a cor é mais emocionante que o volume, mas dependente de formação cultural do observador.

"Ao dispor de tecnologia começamos a brincar com a estrutura sem razões funcionais, ou mesmo adotar caros vidros especiais para redução de calor antes de janelas menores. A tecnologia sobrepõe-se a racionalidade básica e um orçamento folgado torna-se pré condição para originalidade do projeto. Meu trabalho com edifícios de apartamentos e escritórios comuns busca o máximo de área com um mínimo de perímetro e irregularidades."

"Para enriquecer sistematicamente o cenário de nossas cidades e modificar sua grande massa cinza de mediocridade, devemos não entronizar tanto os "Rolls Royce" e "Rolex de ouro" como símbolos de nossa era pois, carruagens luxuosas e anpulhetas preciosas assim como exemplo especiais de esplendor arquitetônico não são novidades."

"A prática arquitetônica deve sim alcançar carros Fiat e relógios Seiko, porque significam acesso em grande escala à qualidade e beleza, acesso este que, independente do estilo ou moda, é a verdadeira essência da modernidade."

Mais uma vez, o trabalho de Peixoto é fora do comum porque, em vez de usar a cor para enfatizar volume como um recurso secundário, a cor é transformada no elemento principal sugerindo, e algumas vezes substituindo visualmente o volume em uma fachada plana.

Ao mesmo tempo as composições arquitetônicas resultantes escondem a malha estrutural de suporte e a simetria das unidades individuais que compõem o prédio, obtendo assim um senso de unidade indivisível em lugar de um agrupamento de elementos repetitivos e óbvios.

Além destas considerações bastante claras, quando se vê um edifício de sua autoria, o sentido e intenção do trabalho de Peixoto é bem definido nas suas próprias palavras:
"A arquitetura moderna tem falhado em promover a qualidade do design fora do domínio histórico restrito de uma elite privilegiada.

Quando outros campos no design estão combinando custos eficientes com riqueza estética, arquitetos ainda consideram custos limitados uma restrição a resultados criativos."

 


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